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TÉCNICAS DE CONDUÇÃO OFF-ROAD

Reprodução autorizada pela Revista 4x4 & Cia.
www.4x4ecia.com.br Autor: Luiz Fraga

Nº 03 - VENCENDO A QUEBRADEIRA:

"Caixa de ovos" ou "caranguejo" é o típico obstáculo que provoca o "cruzamento de eixos". Esta situação é normalmente encontrada em erosões, terrenos com ou sem atrito, em que duas rodas (uma do eixo dianteiro e outra do eixo traseiro) ficam fora do piso, impossibilitando o movimento do veículo.

Por que um veículo 4x4 ficaria imobilizado se apenas duas rodas ficassem fora do piso? Os motivos são os diferenciais que existem nas rodas de todos os 4x4 (excluindo aqueles equipados com bloqueio de diferencial de rodas - não confunda com diferencial central) para que elas possam fazer curvas em terreno com atrito, como asfalto, cimento etc., sem arrastar uma das rodas.
A desvantagem do diferencial é que se uma das rodas de um eixo ficar sem atrito, seja porque está fora do piso (elevada), ou por falta de atrito do solo, a mesma recebe todo o torque (força) do motor, fazendo com que este eixo pare de tracionar e não ajude (e às vezes até mesmo atrapalhe) o movimento do veículo.
Se o jipe for equipado com bloqueio de diferencial de roda, ou com algum dispositivo eletrônico (tipo ETC - Electronic Traction Control - que equipa alguns modelos da Land Rover, Mercedes, entre outros), a roda que ficaria parada recebe o torque através do dispositivo.
"Mas, como passar com o meu 4x4?" Mãos à obra! O primeiro passo é ter completo controle da situação. Conheça o obstáculo, passeie a pé por ele primeiro. Repare no tipo do solo, no atrito e em todas as circunstâncias que podem piorar ou ajudar naquele momento. Embreagem, freio, acelerador e direção têm de estar sob controle total.
A direção deve estar reta (obviamente se o obstáculo está em uma reta). Para tanto, basta olhar para fora e certificar se as rodas estão retas. Em seguida, marque a posição do volante e não retire as duas mãos dele (não se esqueça que o polegar deverá estar fora do aro, sempre). É importante checar, em intervalos constantes, se as rodas estão retas. A diferença de altura entre os dois lados do veículo normalmente "puxa" as rodas dianteiras para um lado ou outro, principalmente se o terreno tive pouco atrito.
Usando pouca rotação do motor e marcha reduzida, economiza-se embreagem. Se o terreno tiver pouco atrito, de nada adiantará uma rotação alta, o que somente poderá causar danos ao motor, transmissão e à própria embreagem.
O freio terá papel importante nas instruções a seguir, sendo uma das maneiras indicadas para manter o veículo sob controle. A única maneira de passar por um obstáculo em que as duas rodas ficam sem atrito é aproveitar a inércia (embalo) - uma ótima arma para o piloto. O segredo é manter o veículo em movimento na hora em que as rodas saírem do piso ou perderem, por algum motivo, a aderência.
Na "caixa de ovos", por exemplo, o veículo tem aproximadamente 20 centímetros de espaço (com as quatro rodas no solo) para criar uma inércia no ponto em que as duas rodas ficam fora do solo, e ainda outros 20 centímetros no próximo obstáculo, e assim sucessivamente. Para não aumentar muito a velocidade, o piloto deverá frear e aproveitar os próximos 20 centímetros.
Geralmente este obstáculo é transposto em primeira marcha reduzida, com pouca rotação (quase marcha lenta), mas se o terreno tiver pouco atrito, uma marcha mais longa poderá ser colocada.
Normalmente, um 4x4 com câmbio automático facilita muito a vida do piloto, mesmo com duas rodas fora do piso.
É necessário o Zequinha instruir o piloto sobre a posição correta das rodas, do volante e também a posição do veículo para saber quando acelerar ou frear.
É preciso que o Zequinha saiba quando e onde utilizar a prancha ou algum tipo de calço para diminuir a diferença de altura entre as rodas do mesmo eixo, podendo até mesmo equilibrar e colocar mais uma roda em contato com o piso, facilitando a passagem.
Quanto maior o curso da suspensão de seu 4x4, maior será a facilidade em passar no "caranguejo". Até a próxima, e boas trilhas.