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TÉCNICAS DE CONDUÇÃO OFF-ROAD

 

Reprodução autorizada pela Revista 4x4 & Cia.
www.4x4ecia.com.br Autor: Luiz Fraga

05 - "OLHA O TOMBO"

Entre os obstáculos encontrados no fora-de-estrada, as inclinações laterais pedem muita atenção para que o passeio não termine em uma capotagem.

No fora-de-estrada é comum encontrar inclinações laterais fortes, combinadas com terreno liso e erosões, elas assustam até os mais experientes off-roaders e devem ser respeitadas por todos.
A grande maioria dos veículos 4x4 têm ângulos de inclinação lateral máxima em torno de 35 graus. Esta medida, entretanto, é tomada com o veículo parado (estática) e sem nenhum acessório que possa atrapalhar. Bagageiros e estepes em locais inadequados (no teto) e outras cargas podem desestabilizar o veículo, já que o ângulo que consta no manual do proprietário ou no catálogo leva em consideração o peso do veículo somente, sem os acessórios. Portanto, na hora de colocar os equipamentos, pense nisso.
Outro fato importante que muitos esquecem é da carga solta no interior do 4x4. Muitas vezes, os ocupantes podem sobreviver ao "capotamento" do veículo, mas não ao impacto de um machado solto na parte traseira, por exemplo. Lembre-se também que, apesar de influenciarem pouco, pneus maiores levantam o veículo, aumentando a chance de um tombamento.

ANDANDO E INCLINANDO:

O fator mais importante a ser levado em consideração é o dinâmico. É ele que definirá se o 4x4 vai realmente tombar ou não. Quando, em uma inclinação lateral, o volante estiver "leve" como uma pluma, o veículo está perto de tombar. O volante "leve" se deve ao fato de, provavalmente, uma das rodas dianteiras não estar tocando o chão, o que diminui o esforço necessário para o esterçamento. A sensação desconfortável sempre aparece quando a inclinação é muita, mas com o costume passa.

O QUE FAZER:

Diferente do que o instinto manda (e por isso deve-se treinar muito), na grande maioria das inclinações gire o volante para o lado mais baixo da inclinação, mesmo que depois tenha que endireitar. Dessa maneira evita-se o pior, mantendo o veículo "virado para baixo".
Se a situação permitir, tente voltar o volante para a posição normal (quanto mais reto melhor) e siga pela nova trajetória até que a inclinação lateral diminua.
Caso o terreno seja liso e a traseira do veículo desgarre, tendendo a "ultrapassar" o veículo, esterce o volante para o lado mais baixo da inclinação a fim de corrigir a trajetória, da mesma maneira que se faz no plano. Por incrível que pareça, os reflexos se invertem quando se está inclinado. A reação normal é estercar para a parte de cima da curva, piorando ainda mais a situação. Portanto, treine seu reflexo para diminuir o risco de tombamento.

PEDRINHAS:

Uma das coisas mais difíceis nas trilhas inclinadas é quando se trafega em terreno irregular, ou seja, o ângulo de inclinação lateral não é constante ao longo da trilha.
Preste muita atenção, pois a suspensão (principalmente se for um veiculo com molas helicoidais de grande curso - Niva; JPX; Land Rover Defender; etc.) pode "catapultar" o veículo e causar o tombamento.


INCLINÔMETRO:

Existem equipamentos específicos para a medição dos ângulos de inclinação lateral (e também de subida ou descida) que podem ser instalados nos 4x4. O melhor de todos (em minha opinião) é um inclinômetro de veleiro, simples e barato. Consiste em um tubo transparente com uma esfera dentro que marca o ângulo em que o veículo se encontra.
Para funcionamento correto deste tipo de inclinômetro, é importante que o veículo esteja perfeitamente plano para a sua instalação, sob pena de não ter a marcação correta. Uma vez instalado este dispositivo permite que o motorista saiba exatamente o ângulo da inclinação lateral em que o veículo se encontra.
Nunca esqueça de que o inclinômetro somente marca , e não controla a inclinação, sendo esta uma função específica do motorista.

TOMBOU ?

Imagine um 4x4 na iminência de tombar, o "Zequinha" tenta pular sobre o lado mais alto (por favor, cuidado com a segurança) e nem assim ele consegue a proeza de segurar o bruto no chão?
Muita calma nessa hora. Tente, com muito cuidado, desvirar sem arrastar, sob pena de piorar o prejuízo (que não será pequeno). Diversas opiniões surgirão e muitos "ajudantes" virão com palpites mirabolantes. Mas a tarefa não é tão difícil como parece, desde que feita com muito cuidado e sem ninguém por perto - sempre em prol da segurança.
Com um guincho em outro veículo fica mais fácil levantar um 4x4 tombado. Tome sempre as medidas de segurança costumeiras para operações de resgate em um atoleiro e preste muita atenção ao local que será usado para ancorar o gancho no carro tombado. Ou então se prepare para um aumento na conta da funilaria depois.
Com o auxilio de muitas pessoas, também é possível "destombar" o 4x4. Ancore uma cinta grande em um dos lados (tome os mesmos cuidados citados no caso do guincho) e controle o pessoal para puxá-la. É muito arriscada a operação manual - o veiculo pode tombar novamente em cima da "multidão" que está ajudando, causando estragos.

CALÇO HIDRÁULICO:

Se o 4x4 for movido a diesel, cuidado para dar a partida depois da capotagem, pois existe o risco do óleo do carter inundar a câmara de combustão e gerar um calço hidráulico (empenamento da biela) em um dos cilindros. Para evitar este problema, certifique-se se o nível do óleo (cheque na vareta) está na mesma altura de antes do tombamento. Se não estiver, retire os bicos injetores e gire o motor manualmente para que todo o óleo do carter saia da câmara. Verifique também o filtro de ar e todo o circuito de entrada de ar quanto à presença de óleo do carter.
Lembre-se que o mais importante é a segurança nas trilhas. Mantenha o seu 4x4 sempre em ordem e nunca se esqueça do cinto de segurança. Até a próxima.